Ora, lembro-me muito bem. Meu amantíssimo esposo, Pedro, via em José Bonifácio um homem de confiança. Àquela época, meu querido era Príncipe Regente do Brasil, ainda subordinado à Corte Portuguesa. José e seu irmão, Antônio Carlos de Andrada e Silva, bem como o visconde da Cairu, José da Silva Lisboa, não largavam do pé de Pedro. Queriam que ele tomasse alguma providência, rompesse com seu pai e lutasse pela independência política desse país, que, de grande, só tinha o território.
Ai, que saudade da Corte! Lisboa, como eu queria poder ver-te novamente! Mas não podia. Pedro parecia fascinado. Sem falar que os jornais só falavam disso: Brasil independente. Ai, que idéia mais absurda! Só podiam ser loucos, como Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa.
Parece que foi ontem! Primeiro, meu Pedrinho recusou fidelidade à Constituição Portuguesa. Depois, convocou uma Assembléia Constituinte para o Brasil! Como pôde, meu Deus? Como se não bastasse, declarou inimigas as tropas portuguesas... Pedro estava fora de si, eu garanto! Foi tudo culpa do José. Ele queria o poder para si, e somente usou o meu Pedro.
Só que o pior ainda estava por vir... Maldita a hora em que EU sugeri a Pedro que fosse até São Paulo. Queria que ficasse um pouco distante desses loucos os quais enchiam sua pobre cabecinha com absurdos. Mas não adiantou. Tenho certeza, todas as exigências que, supostamente, foram feitas pelos portugueses eram falsas. Isso só pode ter sido idéia do José. E não é que foram atrás do Pedrinho para lhe entregar a tal carta? Ele ficou sem saber o que fazer.
Estava às margens do Ipiranga. Simplesmente gritou: “Independência, ou morte!”. Tolinho demais esse meu marido... Como eu queria ter estado lá ao seu lado para impedir tal sandice! Mas não estava. Foram os piores anos de minha vida! Deu o maior banzé! Só sei que minha filhinha acabou sendo enviada como regente a Portugal, depois que meu sogro, D. João, faleceu. Meu cunhado tentou usurpar o trono. Pedro e eu acabamos indo de volta a Lisboa. Conseguimos arrumar a situação. Aí, sim, foi bom. Voltei a viver como uma rainha, de fato e de direito, como sempre tinha sonhado.
Pedrinho II, pequeno que era, ficou por aqui, sob a tutela do José Bonifácio. Nunca mais o vi. Só soube que assumiu o trono logo, e governou durante muito tempo. Só saiu por causa daqueles republicanos. Outros doidos. Mas disso eu não posso falar, não conheço os detalhes. Agora, da sandice de Pedro, por causa dos loucos brasileiros, disso eu não esqueço nunca! Quase acabaram com minha vida de luxo e festas. Imagina só: eu, uma princesa linda, vivendo nesse calor eternamente? Com pouquíssimo luxo e em meio a milhares de rebeliões? Nem morta! Eu sou chique, benhê!
04 maio 2005
03 maio 2005
Escrever
Me deu vontade de escrever. O quê? Qualquer coisa. Só quis conversar um pouquinho comigo mesma. Nada de travessões, sinais gráficos que denotem duas pessoas falando. Isso é um monólogo, a princípio.
É legal falar um pouco com nossa própria consciência. É gostoso colocar em cheque nossas idéias por nós mesmos. Ainda que frutos da mesma cabeça, surgem contestações às vezes mais duras do que as feitas por consciências distintas. Sim, nós somos nossos maiores carrascos!
De qualquer forma, é bom remoer pensamentos. Pensar, repensar, “des-pensar” idéias, tê-las novamente. Semear pequenos pensamentos, amadurecer raciocínios, colher sonhos lindos, afinal.
Escrever, reescrever, apagar, rabiscar. Desenhos toscos, sem sentido. Letras? Sim, letras. Sentido? O que der na telha. Depende da ocasião, vontade, estado de espírito, animação. Tudo depende de como combinar as letras.
Desse súbito turbilhão de idéias, surgem palavras, orações, frases, períodos, parágrafos. Um texto. Abro o Blogger. Login. Nova postagem. Copia, cola. Mudo a fonte, a cor. “Publish post”. Pronto? Não. Visualizar blog. Tudo certinho, do jeito que eu queria. Acabou? Não. E não acabará nunca. A cada pessoa que abre o blog e o lê, começa tudo de novo.
É legal falar um pouco com nossa própria consciência. É gostoso colocar em cheque nossas idéias por nós mesmos. Ainda que frutos da mesma cabeça, surgem contestações às vezes mais duras do que as feitas por consciências distintas. Sim, nós somos nossos maiores carrascos!
De qualquer forma, é bom remoer pensamentos. Pensar, repensar, “des-pensar” idéias, tê-las novamente. Semear pequenos pensamentos, amadurecer raciocínios, colher sonhos lindos, afinal.
Escrever, reescrever, apagar, rabiscar. Desenhos toscos, sem sentido. Letras? Sim, letras. Sentido? O que der na telha. Depende da ocasião, vontade, estado de espírito, animação. Tudo depende de como combinar as letras.
Desse súbito turbilhão de idéias, surgem palavras, orações, frases, períodos, parágrafos. Um texto. Abro o Blogger. Login. Nova postagem. Copia, cola. Mudo a fonte, a cor. “Publish post”. Pronto? Não. Visualizar blog. Tudo certinho, do jeito que eu queria. Acabou? Não. E não acabará nunca. A cada pessoa que abre o blog e o lê, começa tudo de novo.
02 maio 2005
Engraçado...
É engraçado...
tem um bocado de gente que já me disse que leu esse ou aquele post...
Mas o povo não comenta! Depois eu acho que ninguém lê...
tem um bocado de gente que já me disse que leu esse ou aquele post...
Mas o povo não comenta! Depois eu acho que ninguém lê...
01 maio 2005
Joan Miró
Vale a pena conhecer, pelo menos conhecer.
Joan Miró. Artista espanhol, do grupo dos surrealistas. Não falo exatamente dos seus quadros, falo do artista em si. Fiquei encantada? Sim fiquei.
Dica de leitura: "A cor dos meus sonhos - entrevistas com Georges Raillard", de Joan Miró.
Boa semana pra todo mundo.
Joan Miró. Artista espanhol, do grupo dos surrealistas. Não falo exatamente dos seus quadros, falo do artista em si. Fiquei encantada? Sim fiquei.
Dica de leitura: "A cor dos meus sonhos - entrevistas com Georges Raillard", de Joan Miró.
Boa semana pra todo mundo.
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