E o que se pode fazer para para sair desse buraco? “Eu não sei o que falta. Quem sabe falte um pouco de garra, de 'eu vou fazer' e não ' vou esperar que alguém faça por mim', que é um sentimento também do haitiano, 'o governo resolverá ou alguém resolverá por mim'", acredita a embaixatriz Roseana Kipman.
Alguns militares brasileiros vêem a necessidade de uma ação governamental, que aproveite o ambiente de segurança para iniciar um processo de desenvolvimento sustentado. “Eu acho que tem que haver uma pressão das associações de direitos humanos junto ao governo haitiano, junto à própria ONU, no sentido de esse sofrimento, essa miséria do povo ser atenuada", afirma o comandante do batalhão brasileiro, coronel Fioravante.
Ok, ação governamental. Mas o que, de forma concreta, é necessário no curto prazo? Quem responde primeiro é o intérprete do batalhão brasileiro, Jean Denis (o mesmo que quer ir estudar no Brasil). “Pra ser um país que não sofre, é emprego pra população, porque quando todo mundo está trabalhando, não vai ter problema econômico e ninguém vai se preocupar com outras coisas [que, de acordo com ele, seriam fazer baderna, enfrentar as tropas estrangeiras...]".
Para ele, é o desemprego, que atinge cerca de 80% da população, que faz o povo sofrer. "A segunda coisa: escola, formação da população; pra população falta formação, escola pras crianças, jovem que está querendo estudar, mas não tem possibilidade”, completa.
"Jobs, jobs, jobs!", como diz o brasileiro Luiz Carlos da Costa, um dos "chefões" da Minustah. É o que iniciativas como a fábrica de rum Barbancourt (a única que conseguimos visitar) geram. Na empresa, existente desde 1862, são empregadas 300 pessoas, desde o corte e moagem da cana até o envase e exportação do produto final, que vai para 15 países, principalmente europeus. O menor salário pago, de acordo com Jean Dominic Denis, funcionário da fábrica, é de US$ 3 por dia.
“Esse rum é uma honra nacional, porque na época do embargo [imposto pelos Estados Unidos] não tinha nada funcionando, só a Barbancourt funcionava para ajudar o país”, diz Denis. Por dia, a Barbancourt produz 1,6 mil caixas com 12 garrafas grandes (aproximadamente 700 ml) e 1,3 mil caixas com 24 garradas pequenas.
Voltando à geração de empregos, o embaixador brasileiro, Igor Kipman, diz que o governo haitiano tem trabalhado nisso, mas "devagarinho". “As coisas aqui acontecem num ritmo muito próprio do Haiti, devagar, não acontecem muito rapidamente. Está acontecendo devagarinho, com os tropeços a que este país está sujeito". Tropeços geográficos - os furacões - e as dificuldades enfrentadas por uma democracia que renasce - foram quatro meses desde abril sem um primeiro-ministro.
"[O país] ficou praticamente metade do ano de 2008 com um governo encarregado dos assuntos correntes, um governo que não pode assumir compromissos a médio prazo, claro que isso atrasa todo esse processo [de desenvolvimento]”.
Para o médio prazo, existe um plano feito pelo governo que caiu em abril junto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que prevê, em três anos, geração de emprego e aumento de renda. O embaixador Kipman lembra que estava marcada uma reunião, no início do ano, com doadores internacionais, para definir os recursos necessários ao plano. Só que ela foi desmarcada tanto por conta dos problemas políticos quanto pelos climáticos.
A esperança dele é que essa reunião seja feita em novembro, “e aí então vai se dar início ao plano que deveria ter começado no início de 2008, vai acabar começando em 2009”.
04 junho 2010
02 junho 2010
Rota de furacões
Não bastassem os problemas sociais e políticos que atormentam o Haiti há dois séculos, desde a independência, o país está numa rota de furacões. Por ano, a média é de 20 tormentas, entre julho e outubro. Nem todos acertam em cheio o território, mas geralmente passam perto o suficiente para causar estragos.
A situação em Gonaíves, que foi atingida por dois furacões seguidos em setembro, mostra bem a fragilidade da cidade histórica - foi lá que começou e se concretizou o movimento de independência. Ruas alagadas, postes de fiação elétrica caídos, carros virados, muita lama e um cheiro de matéria orgânica em decomposição na praça principal, perto do porto, pessoas desabrigadas e famintas. "Vai fazer o quê?", questiona a embaixatriz brasileira, Roseana Kipman. "Você vai dizer pra três milhões de habitantes 'saiam da cidade, que ela não é boa para vocês'? E eles dizem 'essa é a minha única casa, meu único terreno, você vai me dar outro igual?'".
Para ela, não se tem o que fazer em termos de prevenção contra os resultados das catástrofes naturais. "Teoricamente eu posso tirar a cidade dali e colocar em cima do morro, mas só teoricamente. Essa é uma cidade histórica, ali se deu a independência. Você acha que eles vão abandonar a cidade pra água? Não vão abandonar".
As montanhas que ficam do lado oposto ao mar já não têm árvores, derrubadas para fazer lenha e carvão - única fonte de energia para cozinhas. Isso facilita o deslizamento de terra, enchendo a cidade de lama e pedras. Este ano, depois da passagem de quatro furacões, dois no sul e dois no centro-norte, as chuvas e ventos fortes também bloquearam 16 pontos de estradas, dificultando o acesso às cidades afetadas.
"É uma catástrofe que em números gerais afetou cerca de 800 mil pessoas e destruiu muita coisa da infra-estrutura", conta o general Santos Cruz, force commander da Minustah. "Você tem [em final de setembro] mais de 150 mil famílias diretamente afetadas, hoje ainda tem cerca de 170 mil pessoas em abrigos temporários".
De acordo com ele, a Minustah não sofreu revés algum. O mesmo não se pode dizer do Haiti. "Isso pode causar um atraso em todo o programa de estabilização e desenvolvimento do país. O Haiti no ano passado teve um crescimento positivo que não tinha há 20 anos, vinha dando uma recuperada e mostrando alguns sintomas de desenvolvimento; esse ano até talvez o desenvolvimento seja negativo".
O atraso nesse processo, para Luiz Carlos da Costa, número dois no comando da Minustah, deve ser de até um ano. "O que se passou no país há duas semanas [meados de setembro] significa que no momento a atenção será desviada para a reconstrução da infra-estrutura destruída. Sete pontes chaves da infra-estrutura de comunicação, de transporte no país, foram destruídas, as poucas estradas que haviam, a grande parte delas foi destruída".
Essa não é a primeira vez que um furacão traz problemas para as tropas da ONU no Haiti e para o processo de desenvolvimento do país. Em 2004, quando a Minustah tinha recém chegado ao país, ainda não tinha seu efetivo completo e estava sob o comando, pelo menos o braço militar, do general brasileiro Augusto Heleno, o norte foi afetado por uma "rebarba de furacão".
"Os grandes esforços da missão foram desviados para Gonaíves, que entre uma tragédia humanitária e combater criminalidade, vamos cuidar primeiro do humanitário, mas isso deu chance às gangues [em Porto Príncipe, capital] de se fortalecerem muito, tanto em Bel Air, quanto em Citè Soleil, quando nós voltamos a atuar contra as gangues, elas já estavam muito fortalecidas", relata.
A situação em Gonaíves, que foi atingida por dois furacões seguidos em setembro, mostra bem a fragilidade da cidade histórica - foi lá que começou e se concretizou o movimento de independência. Ruas alagadas, postes de fiação elétrica caídos, carros virados, muita lama e um cheiro de matéria orgânica em decomposição na praça principal, perto do porto, pessoas desabrigadas e famintas. "Vai fazer o quê?", questiona a embaixatriz brasileira, Roseana Kipman. "Você vai dizer pra três milhões de habitantes 'saiam da cidade, que ela não é boa para vocês'? E eles dizem 'essa é a minha única casa, meu único terreno, você vai me dar outro igual?'".
Para ela, não se tem o que fazer em termos de prevenção contra os resultados das catástrofes naturais. "Teoricamente eu posso tirar a cidade dali e colocar em cima do morro, mas só teoricamente. Essa é uma cidade histórica, ali se deu a independência. Você acha que eles vão abandonar a cidade pra água? Não vão abandonar".
As montanhas que ficam do lado oposto ao mar já não têm árvores, derrubadas para fazer lenha e carvão - única fonte de energia para cozinhas. Isso facilita o deslizamento de terra, enchendo a cidade de lama e pedras. Este ano, depois da passagem de quatro furacões, dois no sul e dois no centro-norte, as chuvas e ventos fortes também bloquearam 16 pontos de estradas, dificultando o acesso às cidades afetadas.
"É uma catástrofe que em números gerais afetou cerca de 800 mil pessoas e destruiu muita coisa da infra-estrutura", conta o general Santos Cruz, force commander da Minustah. "Você tem [em final de setembro] mais de 150 mil famílias diretamente afetadas, hoje ainda tem cerca de 170 mil pessoas em abrigos temporários".
De acordo com ele, a Minustah não sofreu revés algum. O mesmo não se pode dizer do Haiti. "Isso pode causar um atraso em todo o programa de estabilização e desenvolvimento do país. O Haiti no ano passado teve um crescimento positivo que não tinha há 20 anos, vinha dando uma recuperada e mostrando alguns sintomas de desenvolvimento; esse ano até talvez o desenvolvimento seja negativo".
O atraso nesse processo, para Luiz Carlos da Costa, número dois no comando da Minustah, deve ser de até um ano. "O que se passou no país há duas semanas [meados de setembro] significa que no momento a atenção será desviada para a reconstrução da infra-estrutura destruída. Sete pontes chaves da infra-estrutura de comunicação, de transporte no país, foram destruídas, as poucas estradas que haviam, a grande parte delas foi destruída".
Essa não é a primeira vez que um furacão traz problemas para as tropas da ONU no Haiti e para o processo de desenvolvimento do país. Em 2004, quando a Minustah tinha recém chegado ao país, ainda não tinha seu efetivo completo e estava sob o comando, pelo menos o braço militar, do general brasileiro Augusto Heleno, o norte foi afetado por uma "rebarba de furacão".
"Os grandes esforços da missão foram desviados para Gonaíves, que entre uma tragédia humanitária e combater criminalidade, vamos cuidar primeiro do humanitário, mas isso deu chance às gangues [em Porto Príncipe, capital] de se fortalecerem muito, tanto em Bel Air, quanto em Citè Soleil, quando nós voltamos a atuar contra as gangues, elas já estavam muito fortalecidas", relata.
31 maio 2010
Observações
1 - leia essa série de textos publicados em maio não do mais recente, mas do mais antigo. Se não vou parecer uma louca...
2 - pretendia colocar os links para o que chegou a ser publicado na Agência Brasil ainda em setembro de 2008 (uma dando conta da renovação do mandato da Minustah, outra da situação em Gonaíves), mas a ABr mudou de página e não consegui recuperar nenhum arquivo do que foi publicado (sim, como saí de lá antes da mudança, estou sem portifólio nenhum!)
3 - alguns textos complementares ainda tenho. Confesso que não sei dizer o que foi de fato publicado ou não, mas acho que o que eu tenho não chegou a ir pro ar... vamos ver...
Por enquanto, é isso!
2 - pretendia colocar os links para o que chegou a ser publicado na Agência Brasil ainda em setembro de 2008 (uma dando conta da renovação do mandato da Minustah, outra da situação em Gonaíves), mas a ABr mudou de página e não consegui recuperar nenhum arquivo do que foi publicado (sim, como saí de lá antes da mudança, estou sem portifólio nenhum!)
3 - alguns textos complementares ainda tenho. Confesso que não sei dizer o que foi de fato publicado ou não, mas acho que o que eu tenho não chegou a ir pro ar... vamos ver...
Por enquanto, é isso!
Cozinha do Inferno
No segundo dia no Haiti, 24 de setembro, fomos conhecer um local ainda mais caótico e chocante do que Citè Soleil, que os soldados brasileiros chamam de "cozinha do inferno". É um mercado informal, que ocupa não só calçadas, mas também as ruas, onde pessoas confundem-se com mercadorias e carros.
"Cozinha" porque o que mais se vende (no meio de uma infinidade de coisas que vão desde remédios até cadernos escolares e malas para viagem) é comida, incluindo os biscoitos de argila, que eles comem na falta de outra coisa menos indigna. Dizem que é nutritivo... "Do inferno" pelo caos de gente, carros, cestos, banquinhas, lama, esgoto, lixo. E nós com colete a prova de balas e capacete.
Existe também um mercado público construído pelo governo da Venezuela, que custou quase US$ 2 milhões e tinha sido inaugurado nove dias antes. Enquanto centenas de ambulantes ocupavam o espaço, parcialmente alagado (difícil dizer se por água mesmo, por esgoto, ou os dois misturados), em frente ao mercado, lá dentro nenhum dos boxes estava ocupado.
As vendedoras contaram que o aluguel do espaço é tão caro, que só quem tem uma grande quantidade de mercadoria para vender consegue pagar. Assim, sempre que tentam entrar lá, são expulsas a pancadas pelos homens da Polícia Nacional.
São inúmeras as violações dos direitos humanos. Mas o general Santos Cruz, force commander da Minustah, é taxativo: "A missão aqui não tem nenhuma condição de promover desenvolvimento, a não ser criar um clima de estabilidade e favorecer o governo".
Santos Cruz argumenta que a ação da tropas é apenas uma das ferramentas para garantir os direitos do povo haitiano. "Quando você controla, leva condição para o governo chegar lá, para a polícia chegar lá, você participa do trabalho policial, põe pressão em cima desse pessoal, é pra tudo isso, evitar que as pessoas sejam roubadas, sejam sequestradas, estupradas, assassinadas, [permitir] que as escolas funcionem. Isso é direitos humanos na prática".
De acordo com o general Augusto Heleno¹, o primeiro comandante das tropas da Minustah, em 2004, mais do que a garantia do ambiente seguro, existe uma prioridade para ações humanitárias, quando necessário. Ele lembra da opção feita no ano em que ele chegou, de se enviar as tropas para a ajuda humanitária em Gonaíves, o que acabou possibilitando o fortalecimento das gangues na capital do país, Bel Air, Citè Soleil e Citè Militaire.
"Hoje a nossa presença efetiva com pontos fortes dentro dessas favelas impede que aquela situação [de predominância das gangues] seja retomada, mas de qualquer maneira, quando a gente deixa de patrulhar, de estar presente, fatalmente nós vamos ter um agravamento na situação de segurança, aumento de seqüestros, de roubos de veículos; mas eu digo que entre trabalhar na ação humanitária e trabalhar na repressão ao crime, primeiro vamos para a ação humanitária e depois vamos cuidar do crime".
Uma das coisas que têm sido feitas pela ONU, de acordo com o segundo homem no comando da missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, uma das prioridades, aliás, é a reestruturação da Polícia Nacional do Haiti (PNH), a formação de uma polícia estruturada, honesta, profissional. Mais ainda precisam chegar nos 14 mil homens, número considerado suficiente no momento.
No entanto, a missão não tem um projeto de desenvolvimento, de reconstrução ou mesmo de reflorestamento - hoje em dia o Haiti tem 2% de cobertura vegetal. E às vezes a população não consegue, segundo palavra de Costa, enxergar que nem tudo depende dos soldados estrangeiros.
“Nós não temos um papel no desenvolvimento do país, nos investimentos econômicos, a população não entende isso, eles perguntam aos nossos soldados, então nós precisamos fazer um melhor trabalho de explicar o que nós não somos, o papel dos outros, que podem modificar, trazer uma melhora para a sociedade”.
____
1 - Tivemos oportunidade de entrevistar o general Augusto Heleno no retorno do Haiti. Tivemos uma escala técnica em Manaus, para reabastecer e deixar os que ficavam por lá, alguns oficiais e a equipe da Rede Globo. Ele fez uma visita à aeronave, um C-99 da FAB e fez a gentileza de conversar com os repórteres, apesar do pouco tempo disponível e do barulho das turbinas logo ao lado.
"Cozinha" porque o que mais se vende (no meio de uma infinidade de coisas que vão desde remédios até cadernos escolares e malas para viagem) é comida, incluindo os biscoitos de argila, que eles comem na falta de outra coisa menos indigna. Dizem que é nutritivo... "Do inferno" pelo caos de gente, carros, cestos, banquinhas, lama, esgoto, lixo. E nós com colete a prova de balas e capacete.
Existe também um mercado público construído pelo governo da Venezuela, que custou quase US$ 2 milhões e tinha sido inaugurado nove dias antes. Enquanto centenas de ambulantes ocupavam o espaço, parcialmente alagado (difícil dizer se por água mesmo, por esgoto, ou os dois misturados), em frente ao mercado, lá dentro nenhum dos boxes estava ocupado.
As vendedoras contaram que o aluguel do espaço é tão caro, que só quem tem uma grande quantidade de mercadoria para vender consegue pagar. Assim, sempre que tentam entrar lá, são expulsas a pancadas pelos homens da Polícia Nacional.
São inúmeras as violações dos direitos humanos. Mas o general Santos Cruz, force commander da Minustah, é taxativo: "A missão aqui não tem nenhuma condição de promover desenvolvimento, a não ser criar um clima de estabilidade e favorecer o governo".
Santos Cruz argumenta que a ação da tropas é apenas uma das ferramentas para garantir os direitos do povo haitiano. "Quando você controla, leva condição para o governo chegar lá, para a polícia chegar lá, você participa do trabalho policial, põe pressão em cima desse pessoal, é pra tudo isso, evitar que as pessoas sejam roubadas, sejam sequestradas, estupradas, assassinadas, [permitir] que as escolas funcionem. Isso é direitos humanos na prática".
De acordo com o general Augusto Heleno¹, o primeiro comandante das tropas da Minustah, em 2004, mais do que a garantia do ambiente seguro, existe uma prioridade para ações humanitárias, quando necessário. Ele lembra da opção feita no ano em que ele chegou, de se enviar as tropas para a ajuda humanitária em Gonaíves, o que acabou possibilitando o fortalecimento das gangues na capital do país, Bel Air, Citè Soleil e Citè Militaire.
"Hoje a nossa presença efetiva com pontos fortes dentro dessas favelas impede que aquela situação [de predominância das gangues] seja retomada, mas de qualquer maneira, quando a gente deixa de patrulhar, de estar presente, fatalmente nós vamos ter um agravamento na situação de segurança, aumento de seqüestros, de roubos de veículos; mas eu digo que entre trabalhar na ação humanitária e trabalhar na repressão ao crime, primeiro vamos para a ação humanitária e depois vamos cuidar do crime".
Uma das coisas que têm sido feitas pela ONU, de acordo com o segundo homem no comando da missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, uma das prioridades, aliás, é a reestruturação da Polícia Nacional do Haiti (PNH), a formação de uma polícia estruturada, honesta, profissional. Mais ainda precisam chegar nos 14 mil homens, número considerado suficiente no momento.
No entanto, a missão não tem um projeto de desenvolvimento, de reconstrução ou mesmo de reflorestamento - hoje em dia o Haiti tem 2% de cobertura vegetal. E às vezes a população não consegue, segundo palavra de Costa, enxergar que nem tudo depende dos soldados estrangeiros.
“Nós não temos um papel no desenvolvimento do país, nos investimentos econômicos, a população não entende isso, eles perguntam aos nossos soldados, então nós precisamos fazer um melhor trabalho de explicar o que nós não somos, o papel dos outros, que podem modificar, trazer uma melhora para a sociedade”.
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1 - Tivemos oportunidade de entrevistar o general Augusto Heleno no retorno do Haiti. Tivemos uma escala técnica em Manaus, para reabastecer e deixar os que ficavam por lá, alguns oficiais e a equipe da Rede Globo. Ele fez uma visita à aeronave, um C-99 da FAB e fez a gentileza de conversar com os repórteres, apesar do pouco tempo disponível e do barulho das turbinas logo ao lado.
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